O primeiro Museu da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus em Portugal, denominado Museu da Loucura, foi fundado em 1920, pelo Diretor Clínico da Casa de Saúde do Telhal, Dr. Luís Cebola. Este Museu, instalado no Pavilhão de S. José, apresentava trabalhos de artes plásticas, feitos por utentes na Ergoterapia, destacando‑se, dessa época, as aguarelas de Stuart de Carvalhais.
Desde a sua origem, este museu revelava já uma dimensão inovadora: reconhecer e divulgar o valor artístico, documental e humano da arte criada em contexto terapêutico de pessoas com patologias mentais, num tempo em que a doença mental era frequentemente marcada pelo isolamento, incompreensão e estigma.
Ao longo do século XX, este núcleo passou a designar‑se Museu Ergoterápico e foi posteriormente instalado na Unidade Bento Menni, já com um percurso e equipamento museográfico próprios. Nesta fase, o espólio foi sendo enriquecido com obras de Artistas utentes como Joaquim Guerreiro, Jorge Simões Costa, José Santa Maria, Mestre Abreu e Gastão Eiró, entre outros.
Mais do que uma sucessão cronológica, a história do Museu revela uma forma própria de olhar o património: um património que não se limita aos objetos, mas inclui experiências, práticas de cuidado, percursos de reabilitação, saberes clínicos, expressão espiritual e criação artística. É essa identidade plural que faz do Museu São João de Deus um espaço singular no panorama museológico português.
Coleções do Museu São João de Deus
As coleções reúnem objetos, documentos e testemunhos de natureza religiosa, científica e cultural, permitindo acompanhar diferentes dimensões da missão hospitaleira e da evolução da assistência em saúde.
Ver todas as ColeçõesHoje, o Museu continua a afirmar‑se como lugar de memória e de conhecimento, mas também de interpretação e diálogo. Ao preservar este legado e ao torná‑lo acessível a diferentes públicos, contribui para uma compreensão mais ampla da história da Hospitalidade, da saúde mental e da dignidade humana.